12/28/2007

soul

abri meus emails no trampo e achei um que esperava. Recebi, ontem, uma mensagem que me deixou elétrica o dia todo. Uma pessoa dizia que havia gostado do que escrevi sobre a biografia de Nelson Motta sobre o Tim Maia - um texto rápido, na mesma linha do que o ivan escreveu aqui; também achei que ficou devendo, embora seja agradável leitura. quem escreveu pro JE também achou que Tim merece mais. assinado: Hyldon. gelei. e pensei, me esforçando pra manter o foco: é outro cara, não deve ser o hyldon que eu to pensando. e não é que é o cara mesmo. poxa bem legal. ele recebe matérias sobre a soul music brasileira e lá no meio achou a minha, que o motivou a procurar meu email e me responder. Achei isso muito legal. isso me faz lembrar da emoção da claudete soares se dando ao trabalho de me ligar (!!!) foi incrível... a soul music anda rondando nosso dias, nesse fim de ano. e em torno de tim maia. ivan também viveu uma história inusitada com outra pessoa contemporânea de Tim...
bom, vou voltar ao meu último dia de trabalho de 2007. tava justamente começando um post sobre a minha trilha, especialmente pensada pra hoje... daqui a pouco eu volto, então. (adri)

12/17/2007

"O que acontece em Curitiba é uma estratificação da cultura, pequenos guetos foram formados no decorrer dos anos e um não influencia o outro, isto resultou num pedatismo injustificado, na morte precoce de um movimento cultural que insinuava-se nos anos 80. O público curitibano que não entende picas de guetos, que não tem tempo para identificar estes buracos, simplesmente passou a ignora-los e prefere lotar o teatro Guaira e adjacências pra ver qualquer coisa que seja grandiosa, pode ser Fernanda Montenegro, O Teatro Negro de Praga, Fabio Jr ou Ivete Sangalo."

do blog do Márcio Américo

12/13/2007

A dor que não se explica

"Algumas pessoas pensam que tristeza é algo que acaba porque você é fiel às suas convicções, ou quando um projeto se realiza, quando você encontra o amor de sua vida ou quando a sua filha te dá o beijo mais sincero do mundo. Esses momentos podem te deixar feliz, mas não acabam com sua tristeza, porque esse sentimento verdadeiro é algo que não se explica, é um blues que toca constantemente no walkman acoplado no seu cérebro, é aquela dor que não se explica, ou como diria o velho bluesman "é só um bom homem se sentindo mal" e não há nenhum motivo específico. A vida não é tele-novela. Algumas pessoas não entendem que tristeza é algo inerente e indissocíavel para algumas pessoas. Mesmo quando estamos rindo e contando piadas. Algumas pessoas não entendem isso."

trecho de mais um texto matador do Mário Bortolotto

12/11/2007

Independência e vanguarda

Na falta de inspiração (e talento) pra escrever aqui, recorro a quem entende da coisa e posto dois trechos de dois livros que acabei de ler.

“O talento de Tim, maduro e eficiente, brilhava do início ao fim do LP. O repertório, os arranjos, a gravação e a produção fariam qualquer executivo discográfico babar de inveja e cobiça. Era um disco perfeito, feito para tocar no rádio, arrebentar nas lojas e abarrotar os cofres da gravadora. Mas, “distribuído” pela Seroma, quase de mão em mão, “Nuvens” foi para o espaço, jamais chegou ao grande público. Um dos melhores discos de Tim Maia se tornou um dos seus menos vendidos e mais desconhecidos.
Por todos os motivos, ele levava muita fé no disco e ficou bastante surpreso e abalado com o insucesso. E começou a refletir criticamente sobre as vantagens e desvantagens da independência musical:

‘É como quando você está com aquele tesãozinho e pensa em chamar uma puta, mas não quer gastar dinheiro. Você não chama a puta, toca uma punhetinha e goza e não paga nada – mas também não come ninguém. A produção independente é mais ou menos isso”’


Do livro “Vale Tudo – o som e a fúria de Tim Maia”, por Nelson Motta

comentário meu:
Um livro sobre o Tim não tinha como ser ruim e este não foge à regra. Altas e incríveis histórias do síndico punk funk do Brasil. Mas pra quem como eu é fã de biografias e está acostumado com aquelas biografias exaustivas que dissecam detalhadamente a história e a carreira do cara é um livro decepcionante e extremamente superficial. Prioriza o lado folclórico, deixando a parte musical em segundo plano. Pelo tamanho (literal e figurativamente) do personagem, o Tim merecia mais.




“É essa preocupação de ‘quem é mais moderno’, em vez de ‘quem está fazendo a música mais bonita, mais humana’. (A mais bonita) pode muito bem ser a mais moderna também, mas fazer da vanguarda o único critério acabou virando quase uma doença, especialmente no jazz”

Bill Evans, no livro – Kind of Blue – a história da obra prima de Miles Davis, de Ashley Kahn

Já esse é um livro perfeito, pra quem realmente gosta de música. Faz até um neófito como eu ter vontade de ir estudar essa porra pra entender direito o que os caras falam/contam. Examina em minúcias cada uma das duas sessões de nove horas (no total), take a take, que os caras precisaram para gravar esse monumento musical. E ainda descreve os antecedentes e os efeitos do trabalho de Miles e seus contemporâneos (Coltrane, Ornette Coleman). Obrigatório. E soube que agora ta saindo um do mesmo autor, sobre A love supreme. Vou atrás.

12/07/2007

Iê: capoeira!





Chegou mais um segundo sábado de dezembro e com eles agora sempre chegam também outro batizado do Grupo Força da Capoeira, do qual faço parte há seis anos. Desta vez pego a corda verde, uma graduação que me permitiria dar aulas de capoeira, se quisesse. Nunca pensei nisso, na verdade, não entrei na capoeira procurando outra profissão. Não imaginava, no entanto, que uma prática que entrou na minha vida porque gosto de me exercitar fosse me pegar desse jeito.
Ontem, quinta-feira, como sempre acontece também, foi a Roda com o pessoal de Niterói, o Jogar Capoeira, do agora Mestre Xangô e da professora Portuguesa. O Xangô, um cara muito legal, é amigo- irmão- camarada de fé do meu Mestre, o Kinkas. Eles foram parceiros aqui em Curitiba quando Kinkas chegou e, depois, cada um seguiu seu caminho, criando seus grupos e levando a capoeira adiante de uma maneira honesta e prontos pra encarar as pedreiras que viriam pela frente. São pessoas que admiro muito e pelas quais tenho cada vez mais carinho. Os dois têm a seus lados mulheres igualmente especiais. A Portuguesa, esposa de Xangô não veio este ano porque está doente. Áurea, minha professora também, e esposa de Kinkas, já entrou pro rol das minhas melhores e mais guerreiras amigas. Admiro demais da conta essa baixinha tão tagarela e pronta pra encarar uma briga, quanto eu, quando necessário - e às vezes quando nem seria tão necessário também, sabe como são essas baixinhas invocadas (rs)!.
Este ano estou no Coco e Maculelê. Foram ensaios tensos, alguns. Pouco tempo, a gente não se acertando nos movimentos, bate-bocas, estresse, foram inevitáveis e participei ativamente deles, infelizmente. Ainda bem que eu e Áurea estamos mais ou menos acostumadas a esse tipo de pressão e sempre nos entendemos depois que passa. Algumas pessoas ainda se assustam comigo e com ela, mas é assim mesmo. Pessoas intensas soltam faíscas, do mesmo jeito que nosso facões quando se encontram, certos, no maculelê.


O clima de Batizado já está entre nós há pelo menos dois meses, mas no último mês, o bicho pegou de verdade. Todo ano além da troca de cordas, nosso batizado tem um show a parte. Faremos coreografias, este ano, de xaxado, coco, maculelê, puxada de rede, frevo, ciranda e samba de roda junto com o pessoal do Jogar, que fará também seu maculelê. Ontem, no Aquacenter Batel, onde eu treino, aconteceu a Roda com o Jogar. Eu não sei o que acontece comigo, mas esta roda, em especial, é uma que desde a primeira vez que participei me emociona, quase tanto quanto o Batizado. Os caras chegam batido de mais de 15 horas de viagem e vão direto pra academia jogar com a gente. É uma roda alegre, solta, com amigos... quando o berimbau e o atabaque soam, me dá um arrepio, sinto as mãos suadas, como estão agora, aliás, só de falar disso.
Eu devia estar mais tranquila!. Mas, confesso que estou ansiosa, com um nó na garganta. Essa corda verde já está pesando, tenho que admitir, pra lidar melhor com isso. Devia estar cuidando de duas edições do jornal, mas não consegui começar o dia sem antes falar disso, pra ver se relaxo um pouco.
Este ano também é a despedida do capoeirista Boneco de Milho, o Miguel, um dos mais antigos do grupo que vai viver um tempo na Alemanha. Quando eu crescer na capoeira, quero ser como o Boneco: classe, tranquilidade, jogo limpo, estímulo aos novos e firmeza pra falar com serenidade de regras necessárias e nem um pingo de ansiedade na hora de jogar. Por isso o jogo dele é tão bonito, sereno, de movimentos claros, ataque fatal, se ele quiser, parecendo uma dança. É assim que a capoeira deve ser, força e leveza e juntos. Simplesmente amo ver o Boneco jogando, e pra mim, não é força de expressão dizer que ele é uma inspiração na capoeira. E outro ingrediente que gosto vem de outra das minhas inspirações, do Marcos Cigano: desde a primeira vez que o vi jogando, o que me chamou a atenção foi a alegria dele ao jogar. Dos amigos de capoeira – tirando mestre e áurea – são minhas principais referências. O Marcos faz o batizado dele hoje, às 17h na Escola Rio Negro, no Sítio Cercado. É outro batalhador que aprendi a admirar e muito. Não estarei lá fisicamente, Marcos, mas vou estar de coração. Boa roda e nos vemos amanhã. Bom, quem estiver a fim de conferir sabe onde me encontrar.

12/04/2007

Da série "eu já sabia" - Mocambo premiado em festival Latinoamericano

Divulgação
Se não conhece o som do Mocambo, ouça no MySpace algumas músicas

"Mocambo", de Curitiba, foi a banda premiada em festival latino-americano de música

Com o prêmio, o grupo de hip hop que nasceu no Pilarzinho vai gravar disco e fazer shows em Nova Iorque

por GISELE ROSSI - GAZETA DO POVO ONLINE

“A ficha caiu quando saímos do Uruguai, mas ainda tá caindo”, comenta o músico Marcelo Marques, do grupo curitibano de hip hop Mocambo, que se prepara para uma temporada em Nova Iorque, nos EUA, no próximo ano. O motivo de uma temporada internacional para um grupo mal conhecido na cidade de origem? É a conquista do prêmio principal, o Gold Especial, no 1º Festival Internacional da Canção Sul Americana - Prêmio Equinoccio 2007, que teve sua grande final realizada no último dia 29 de novembro em Punta del Este, no famoso hotel resort Conrad, no Uruguai.
“A gente achava que poderia ganhar algum prêmio, na nossa categoria, mas ganhar o prêmio principal foi totalmente surpresa. Foi uma grande alegria. Tinha muita gente boa concorrendo”, avalia Marques, já em Curitiba, após a vitória com a canção inédita “Na Caranga”, na categoria hip hop, além da premiação principal.
Na categoria Balada, outro brasileiro, Zé Alexandre, do Rio de Janeiro, saiu premiado. O principal prêmio é a gravação de um disco, com os premiados em cada categoria, para ser divulgado mundialmente.
Mocambo
O grupo curitibano é composto por Diego Zamprogna Ferreira, Ronaldo Candido Fratti, Jean Carlos de Oliveira e Luciano Arthur, além de Marques, todos amigos de infância, que cresceram no bairro Pilarzinho e se juntaram para fazer hip hop em 1994. “São cinco caras loucos que gostam de músicas diferentes, mas que um ajuda o outro quando alguém tem uma nova canção começada”, define Marques, sobre o processo de criação da banda.
Hoje eles estão com idades entre 26 e 27 anos e nem todos moram no mesmo bairro, mas a convivência entre os integrantes do Mocambo facilita a vida do grupo, principamente em uma cidade com pouco espaço para o hip hop. O nome da banda é uma gíria nordestina para barraco. "Minha família é de nordestinos e a gente sempre falou mocambo pra se referir a barraco. Achamos o nome legal pra banda", contou Marcelo Marques.
Mesmo pouco conhecido, o grupo tem três CDs lançados indepentendes, e produzidos em estúdio caseiro, respectivamente em 2001, 2003 e o último neste ano com lançamento simumtâneo em vinil, “para atender os DJs”, lembrou o músico. A banda também já teve músicas gravadas em coletâneas na França, Itália e Espanha. “O nosso som puxa mais pro Raga (ritmo jamaicano) porque o hip hop realmente não tem muito espaço em Curitiba. O Raga também não, mas é um pouco mais popular”, explicou Marcelo, entusiasmado com o prêmio. Apesar de realizarem poucos shows em Curitiba, a banda tem se apresentado em Paranaguá e cidades de Santa Catarina e São Paulo.
Com a conquista do prêmio principal no Equinoccio 2007, o Mocambo vai gravar um CD e DVD em Nova Iorque, pela Lobo Recording Corporation, que também vai promover a banda por lá durante o ano de 2008. “É uma mudança radical. Aquele sonho mais difícil e distante está se realizando”, reconhece Marques. Com a mudança, os integrantes do grupo estão se organizando para passar pelo menos um ano nos EUA, mas a expectativa é que a temporada possa ser maior.

O prêmio
Artistas e grupos de dez países participaram da disputa, em semi-finais realizadas nos seus países, antes de chegar à grande final do último dia 29. No Brasil, a competição aconteceu em Curitiba, no teatro Fernando Montenegro. O evento latino-americano que teve início neste ano foi realizado pela Corporação Equinoccio Social e Cultural do Equador e pela Lobo Recording Corporation, de Nova Iorque, empresa dedicada à produção, gravação e promoção de artistas. No Brasil a promoção foi da Danilo D´Ávila Propaganda.
Foram inscritos trabalhos nas seguintes categorias: balada, música gospel, bachata, hip hop, merengue, pop, rock, salsa e, no caso específico do Brasil, samba (categoria Folclore Nacional). Puderam participar compositores, intérpretes e produtores musicais com idade acima de 16 anos, que necessariamente deveriam apresentar canções inéditas e interpretadas por artista desconhecido no mercado internacional.

Nota do blog: para quem não se lembra ou não sabe, o Mocambo foi uma das atrações do Rock de Inverno 6, que aconteceu em outubro de 2005, no antigo 92 graus. Parabéns a eles!

12/02/2007

Cores acústico na GGG





E sexta-feira voltei à sempre aprazível Grande Garagem que Grava para um happy hour especialíssimo regado a coca-cola, à companhia dos grandes brothers e empreendedores Rodrigão, Ferreira, Magoo, Almeidossauro e sua trupe, para presenciar o imperdível show do Cores D Flores acústico, e o que é mais legal, apresentando as músicas do repertório inicial da banda, o qual tivemos nós, da De Inverno, o privilégio de lançar em 2001. Reouvir essas músicas que tanto fizeram parte de tempos e momentos intensos da nossa vida recente foi realmente emocionante. A formação com dois violões, baixolão, a sempre precisa batera do Denis acentuou a beleza das melodias dessas grandes canções - que pra mim pessoalmente integram a melhor fase/repertório da carreira do Cores - e deu liberdade para que a Mariele se soltasse e mostrasse mais uma vez(como se fosse preciso) a grande cantora que é. Como a Adri não pode ir por causa dos ensaios da capoeira, fui sozinho, e acabei assumindo (temerosamente) a missão de registrar pelo menos parte da apresentação com a câmera digital que dei de presente pra ela em seu último aniversário. Foi o primeiro show pra valer que filmei (mesmo que em parte) e posso dizer que foi bom - por ter registrado as lindas interpretações das músicas - mas só confirmou aquilo que eu sempre pensei, não tenho saco pra isso porque quem filma não vê o show, e no final das contas era pra isso que eu tinha ido ali. enfim, alguém tem que fazer o serviço sujo (ehehe). Confiram então aí acima duas das canções que eu consegui registrar lá. E aproveitem que eles vão estar na FNAC nos próximos dias apresentando esse mesmo show.

11/26/2007

Dez anos de OAEOZ no Bacana

Foto: Gabriela F


E o Bacana nº 43 está no ar
E tem texto do Gian sobre o show dos dez anos do OAEOZ

O som estava poderoso. A banda soava como uma mistura de Mercury Rev com Mars Volta. E, como fã da “ultima fase” da banda, digo que OAEOZ é outra coisa no palco, outra historia. É ali que eles se matam, onde dá para sentir cada nota com as expressões dos músculos do rosto dos integrantes. Ivan Santos (violão, teclados e vocais), Carlão Zuber (guitarra, violão e vocais), Rodrigo Montanari (baixo e vocais) e Hamilton de Lócco (bateria). E no último dia 11 de outubro, os titulares da atualidade – recebendo de volta, temporariamente, os ex-integrantes Igor Ribeiro (ESS, Íris, Tods) de volta e Rubens K (que participou do embrião do grupo; hoje no Terminal Guadalupe) – se juntaram para um show especial. No palco, eles relembraram os últimos dez anos de suas vidas musicais.
Às vezes três guitarras apitavam distorções e cada canto daquele porão ganhava uma sensação diferente, do noise ensurdecedor ao doce lirismo pop dependendo de qual guitarra estivesse mais perto de você. Então vinha o trompete de Igor e te levava para o sofá em algum pub escuro, aqueles com chão de tabuas da década de 30. E quando você já estava confortável a trinca guitarra-baixo-bateria (respectivamente Carlão, Rodrigo e Hamilton) e te arrancava do “macio”, te fazia o favor de lembrar que aquele show era uma celebração “anos 90”, vinham melodias pop cheias de guitarras apitando. E ainda tinha a poesia/dor/lirismo/esforço de Ivan que nos últimos anos tornou-se o coração da música feita pelo OAEOZ.
A ironia também estava presente, a mesma que persegue todas as bandas do Paraná – ao menos aquelas que ainda esperam “estourar” algum dia. Ela estava ali no single que a banda lançava, em cada canto vazio e escuro do Porão e em cada pessoa que cantava as frases das letras por vezes enormes da banda. Talvez quando a banda começou, lá na segunda metade dos anos 90, ainda passasse pelas mentes destes a possibilidade da “descoberta”. Naquela noite, entretanto, havia uma aura de libertação/comemoração em cada um dos presentes envolvidos com a banda nos últimos dez anos. Afinal, o que todo mundo neste estado sabe de cor, bandas paranaenses não estouram; elas implodem. Então, ter dez anos de historia é, de fato, algo para se comemorar.
Engraçado como lembrei uma conversa que tivera dias antes com Ivan; ele me contava como era irônico o fato de que a maioria dos shows memoráveis a que assistiu na vida foram em lugares vazios, para duas ou três dúzias de pessoas. E o show de uma década de OAEOZ foi um destes e poderia escrever aqui que foi bom que você não foi. Nada mais blasé do que ter uma banda praticamente tocando só para mim. Mas não. Eu, dez anos mais novo que ele, ainda não estou acostumado com essas coisas. Não entendo porque alguém não iria a um show de uma banda que, por osmose ou influência, estava ligada a várias outras bandas da cidade. Ivan, por exemplo, já tocou até na Relespublica, fato que descobri há duas semanas atrás, alem de integrantes de outras formações locais já terem passado OAEOZ.
A canção que abriu o show, “De Inverno” era, de certa forma, responsável pelo aparecimento de algumas das mais promissoras bandas de Curitiba – o Rock De Inverno, festival de musica independente organizado por Ivan e sua mulher Adriane Perin, foi por muito tempo pelos anos zero-zero a única janelinha para bandas daqui serem vistas lá fora (leia aqui as metrópoles São Paulo e Rio de Janeiro) e, salvo algumas exceções, nenhuma destas “grandes bandas” estava presente na comemoração d’OAEOZ.
Eu sou bairrista o suficiente pra me sentir incomodado com essas injustiças, tanto que este texto está criticando abertamente o publico de Curitiba. Não adianta nem usar uma frase de mãe para estes casos, aquela “um dia você aprende...”. Não, o roque (assim mesmo com que) de Curitiba não aprende.


Giancarlo Rufatto

11/23/2007

"O grande passaporte para o infinito"

foto retirada do site Celso Barbieri

Arnaldo do Anhembi/foto A.C.Barbieri


ARNALDO BAPTISTA AO VIVO NO TUCA (1981)
DOWLOAD

(cortesia da comunidade Mega Rock)

E aqui na página do próprio Arnaldo
mais raridades dele com a Patrulha do Espaço

Senhor empresário
Cowboy
Sanguinho novo
Imagino
Singin again

mais patrulha e arnaldo aqui
e aqui

"Hoje me deitei após um dia cheio e liguei a música. É muito difícil conseguir um estado de espírito apropriado para a audição de música. Creio ser tão difícil quanto se dizer uma missa, pois mais de uma vez assisti a missas tão áridas que só se poderia estar o padre sem inspiração para se concentrar em idéias amplas e belas o suficiente para nos colocar elevados a sonhar com o altíssimo ou com os pecados que ainda não cometemos.
A música...grande lampeão iluminando meus passos e os de muita gente por aí! Coisa difícil de se fazer; a grande passagem, o grande passaporte para o Infinito, a escada para os espíritos sonhadores de alturas, os óculos regeneradores dos olhos cansados.
Faço aqui uma prece à Deusa da música, embora não conheça seu nome, me prosterno aos seus pés agradecendo por tudo o que fez entender sobre mim e o mundo.
Não acredito na educação, dizia Einstein,
o seu único modelo deve ser você próprio,
mesmo que esse modelo seja assustador"


do livro Rebelde entre rebeldes, de Arnaldo Dias Baptista


PS: em contato com o Celso Barbieri descobri que ele tem o show na íntegra do Arnaldo no Tuca. Ao invés das apenas seis músicas que tem nesse arquivo que disponibilizei acima, o show inteiro tem 16 músicas. Elas podem ser ouvidas na rádio on line na página do Celso. Faço questão de divulgar porque um tesouro desse quilate não pode ficar escondido. Valeu Celso e parabéns pelo trabalho magnífico.

11/19/2007

OAEOZ no Expressão Independente

Então
Hoje tem OAEOZ ao vivo na rádio internética Estação Pop, programa Expressão Independente, produzido pelos caras gente boníssima do Djoa. É as 21 horas. É só acessar www.estacaopop.com.br e clicar no Ao vivo, pra ouvir em qualquer lugar do mundo.
E hoje estaremos extraordinariamente no baixo com o Renatinho (Folhetim Urbano), que gentilmente aceitou essa fogueira já que o Zóio não vai poder ir.

11/13/2007

olavo e humberto:lestics

“Pode ser que algum eu perca o sono, e não tenha vontade de andar e comer/ mas eu nunca me canso da luz do outono/ e não tenho porque me cansar de vc/ a eternidade vai um pouco além/ do que eu costumo planejar/ mas no pedaço dela que me cabe/ é com vc que eu quero estar/ pode ser que um dia eu queime os meus livros, jogue fora meus discos e quebre a teve/ mas mesmo enjoado de tudo na vida eu sei que eu não vou me cansar de vc”


cheguei em casa ontem e pensei que bom que não choveu porque tinha na caixa de correspondência um Cd de Olavo Rocha. Lestics, quem não conhece corra pra ouvir. o disco tá no www.lestics.com.br. ainda não sei bem o que falar, então vou só comentar que essa dupla, Olavo e Umberto, dois Gianoulas Papoulas, mais uma vez, toda vez, o que eles fazem. é eles nos acertaram a gente ontem a noite. outra vez. eu tinha muita coisa pra fazer, mas quando comecei a ouvir, de verdade, parou tudo... só consegui ficar ali pensando como esse caras conseguem soar assim, tão próximos, tão familiares, tão os dois sendo tão a gente, tão a gente sendo eles dois. tem uma música em especial, Luz de Outono, que to ouvindo desde ontem sem parar. Só pensava em chegar no jornal pra baixar e ter aqui a meu alcançe. Sabe porque Olavo, porque vc e o umberto são uns folgados... que escrevem e tocam (e as texturas dos timbres que umberto encontra? ) essas coisas tão bonitas que encontram as palavras que a gente não acha quando precisa e que fazem a gente olhar pro lado e ver passar um filme de toda uma vida outra vez, que fazem a gente olhar pro lado e pensar outra vez em todos esses dias lindos que fazem essa vida ser única; canções capazes de fazer a gente rever uma existência e de continuar nela; uma canção e que acalenta outro dia cinzento, sem aquele calor insuportável; que dá vontade de não sair mais daquele abraço de ontem, vontade de nunca mais sair do mergulho pra dentro desses olhos que me olham tão de perto dizendo sem abrir a boca que não é preciso dizer mais nada. (adri)

menos e melhores...

tenho saído menos, mas cada noitada tem valido cada segundo. É só lembrar os shows recentes que a gente foi e como eles foram pra isso ficar evidente. Não falei nem do National Garage, noite de 30 de outubro, quando tocou também a mariatchis que eu não conhecia e fiquei de cara. o que é aquele menino cantor? Essses garotos prometem e, na boa, já estão cumprindo. naquela noite também foi um dos melhores shows d'OAEOZ. lindo, lindo, lindo ver o igor junto no palco, todos muito à vontade e o camarão, pra variar, detonando e não deixando a bateria em paz. a noite teve ainda o folhetim, que, concordando com o ivan, tava mais contido, mas fez um grande show. semana passada foi a vez de eu ficar boquiaberta com o Terminal Guadalupe. Os caras estão mais do atacados no palco, é evidente o pique que ganharam com todo os shows que tem feitos, estão demolidores no palco, sintonizados... dá gosto de ver. agora eu acho que é uma das grandes bandas brasileiras da atualidade. perdi a primeira banda, sorry. Violins, direto de goiania, matou pau também, pena que o som das gravações que eu fiz ficaram muito estourados. Aliás, não entendi,m eu tava lá em cima no Jokers, achei que ia ficar legal. mas... vamos ver o que o ivan posta aí, como vai ficar. Este foi um show mais "rock" que o outro da violins que vi no teatro. essa banda tem uma história legal. Eu vi um dos primeiríssims shows, no Goiania Noise, em 2001, se não me engano. Eles ainda eram Violin and Old Books, cantavam em inglês e pareciam muito muito com Radiohead. Mas tinha algo ali que me pegou e fiquei esperando. Não demorou muito eles mostraram que vieram pra fazer a diferença. E continuam mostrando isso a cada show a cada novo disco. A gente ficou sem o nosso, tinha mas acabou. Também, a galera se divertiu a beça no jokers cheio desde a primeira banda no TG Apresenta. É tão bom quando a gente vai num show desses, que sabe que vale a pena, e vê que a moçada pensou o mesmo... valeu a noite, parabéns TG, Violins volte sempre. São muito bem-vindos. (adri)

11/12/2007

Dez anos de viagens solitárias

Jornal do Estado

O jornalista Luis Nachbin estréia hoje a nova temporada de Passagem Para...no canal Futura

Adriane Perin

Divulgação

Vou pré-produzido para os lugares, mas vou muito livre, me deixo guiar pela minha intuição.

O canal Futura estréia hoje a nova temporada de um dos mais legais programas da televisão brasileira da atualidade, o Passagem Para.... comandado pelo jornalista Luis Nachbin. Trata- se de um programa de vídeo-reportagens, com jeitão de diário de viagens, que tem na simplicidade e no tom coloquial seus grandes trunfos. No Futura, o programa começou em 2004, ainda com gravações antigas feitas em reportagens que foram ao ar no Esporte Espetacular, Jornais Nacional e da Globo, além de Globo Repórter. Foi com o convite de reeditar o material bruto dessas reportagens que ele chegou à Futura. “Essas viagens solitárias começaram em 97 e até agora cem programas foram ao ar no Futura”, conta ele, que também trabalhou no Muvuca, de Regina Casé e no Brasil Legal, todos da Globo. Depois dos quatro progbramas iniciais, em 2005 aquele mesmo material bruto ainda rendeu outros 30 . “Passei 2004 e 2005 plantado na terrinha, que gosto, mas sentia falta das viagens, que voltaram a acontecer em 2006, já para o Passagem”. As temporadas 06 e 07 foram exclusivamente dedicadas às Américas, por onde ele ainda não havia passado.
Nachbin usa um tom de quem divide com o expectador suas próprias descobertas, de quem sacia as curiosidades dos outros, enquanto satistaz a sua também, e um jeito de amigo contando suas histórias marcam o programa do vídeo-repórter. “É bem esse tom de descoberta que procuro dividir. O Passagem é sobre o cotidiano dos lu gares, não quero espetacularizar. Às vezes, vejo a parte mais cultural, noutras, vemos o lado econômico ou esporte. Enfim, a idéia é mostrar um pouco como as pessoas vivem e interagir com elas em seu ambiente”, diz o jornalista.
Imagina-se que umprograma assim exige uma grande equipe, pré-produção nos lugares e tal. Nada. “Vou sozinho”. No Rio de Janeiro três pessoas fazem uma pesquisa. “Às vezes sinto falta de equipe, mas isso tiraria um pouco desse proximidade que o programa passa. Vou pré-produzido, mas vou muito livre, me deixo guiar pela intuição”, diz, sobre o programa que é custeado pelo canal, mas vai procurar parceiras. Nem sempre tudo sai como esperado. em uma vez que ele confiou no seu poder de simpatia, por exemplo, ficou evidente que uma comunidade na América Central não estava gostando nada daquele estranho. E ele deixa isso claro, ao contar a história. Nachbin diz que muitos momentos tensos aconteceram nesses dez anos, mas nenhuma gravação deixou de acontecer.
O que abre a nova temporada hoje, por exemplo, no Haiti, foi um que ele chegou a temer que não rolaria. “Cheguei lá solto em um país em guerra civil. Não tinha como, eu, branco, com uma câmera de vídeo, circular. Esse ano foi disparado o mais tenso”, conta. A saída foi contar mais ainda com o apoio do Exército Brasileiro. “E me aproximei de um segurança do hotel. Foram os dois pontos seguros, equilibrava as informações dos dois lados para saber onde podia ir com segurança”.

Outro momento tenso foi na Colombia, em julho passado. Ele foi a uma região no meio da floresta, perto da fronteira com o Panamá. “É uma zona vermelha, ou seja, de alto risco. Eu sabia disso, mas foi tudo muito tranquilo. No Sirilanca também estive no auge da guerra civil e havia muitos atentatos na capital, Colombo”, diz completando que, entretanto, nunca presenciou nenhuma cena de violência. “Já aconteceram antes e depois de eu sair do lugar. Acho que meu anjo da guarda tava bem acordado”, brinca ele, que já perdeu relacionamentos por conta do ir e vir constante. Agora, com viagtens mais curtas, a família está mais feliz, garante ele. O Futura não tem dado oficial de pesquisa de público, porém o Passagem é o que mais recebe retorno .

“Nós, jornalistas, falamos demais”
Entre os 22 programa que irão ao ar a partir das 23 horas, de segunda a sexta-feira, dois são sobre o Haiti. Nachbin confessa que gosta mais do segundo. “É menos pretensioso”. O assunto é a literatura haitiana. “É muito interessante porque é um país onde 80% das pessoas não sabem ler ou escrever e que gera escritores fanáticos. Encontrei um escritor que é um herói nacional porque não saiu de lá, o que acontece muito por conta do regime”, conta.
Boas lembranças, ele guarda da Colombia, um país que, embora viva sob tensão também, lhe acolheu muito bem . “ Me marcou como um lugar muito amoroso. Tem violência, como no Rio, mas é possível ir pra lá e ser muito feliz, como no Rio também é possível ainda”.

Luis Nacbin é jornalista deste 1988. Foi primeiro para o rádio, sua paixão. “Mas, a televisão acabou me pegando”. Para ele, o veículo está pecando pela falta de renovação de linguagem. “Ter mais ousadia e valorizar a linguagem televisiva. Nós jornalistas, falamos demais. Temos que valorizar o trabalho, em geral muito bom, de nossos cinegrafistas. Reporteres falem menos, deixem a construção se dar pela via visual”, prega ele que também é professor. “Falta renovação no jornalismo em gerla, mas na televisão é mais complicado, porque ela virou umamáquina tão lucrativa e poderosa, que o medo de renovação tende a ser maior”.

11/01/2007

Aos pés de Chan Marshall

Há exatamente uma semana, mais ou menos nessa hora (19h30) recebi no hall de entrada do auditório Ibirapuera, um ambiente de paredes brancas, criado por Oscar Niemeyer, que em nada combinava com meu estado de espírito, inquieto e ansioso, um envelope com um ingresso dentro. Abri e vi escrito Fila A, poltrona 12. Fiquei cismada e o fechei rapidamente: não, essa fila A, não deve ser a primeira, sei lá, deve ter um outro sistema aqui. Não deve ser lugar marcado, pensei comigo e continuei conversando. Só que fiquei com aquilo na cabeça. Tempos depois peguei o ingresso de novo, mas ainda era difícil acreditar. Era o meu lugar pra ver Cat Power na primeira noite do Tim Festival, em Sampa. E alguém da Tim fez a gentileza (e não acho que foi acaso) de me colocar diante da mulher que me tirou o prumo neste ano, que me fez chorar tantas vezes, só por ouvir uma música. Que eu já conhecia, mas não havia me despertado nada. Nada, até ouvir um tal disco The Greatest. Nada, até vê-la cantando daquele jeito, com aquela banda que é capaz de desnortear, com aquela boca torta, aquela movimentação meio desajeitada. Meu espírito pressentia o que estava por vir. Quando é que eu iria imaginar que alguém da Tim me pregaria a peça de me colocar, literalmente, aos pés de Chan Marshal. Quando procurei meu lugar, o segundo à direita, me perguntei como seria possível manter o controle e não me debulhar em lágrimas. NO intervalo de um show pra outro, nem saí do lugar.
Os jornalistas (afinal eu tava lá a trabalho, meu doce trabalho, nessas horas!) esperavam na lateral e eu, sentada, aguardava a entrada dela para também ir pro lado, fazer algum registro das primeiras músicas.
Foi quando vi uma guria entrando no palco, largando uma garrafa aos pés de onde Cat Power ficaria e um pensamento ficou pela metade: nossa, é UMA ROADIE!!!. Antes mesmo dele terminar, o bururu fez eu me tocar: ela entrou no palco como alguém que vai da sala pra cozinha da casa largar algo em algum lugar. Pulei pra lateral direita e foi muito, mas muito difícil manter a mão firme pra captar a música (que depois mais coloco aí no blog), enquanto ela era apresentada. Eu tremia quase incontrolavelmente. Que incrível, ela parecia uma amiga de infância, com o cabelo preso em um rabo de cavalo, jeans e a tal camisa branca amassada, um cinto azul claro, sapatos tênis branco.
Quando vi Mercury Rev chorei compulsivamente quase todo o show e depois não conseguia parar. Diante de Cat Power fiquei estatelada. Não chorei. Meu olhar acompanhava ela de um lado a outro do palco, eu paralisada, com medo de respirar até, porque vai que aquilo era mesmo um sonho, como parecia, e se eu me mexesse ia acordar e estragar tudo.
A hora seguinte foi uma das mais maravilhosas da minha vida. Não chorei, eu só conseguia ficar ali, cabeça erguida em direção a ela completamente hipnotizada, incapaz de fazer um movimento sequer a não ser mover os olhos para não perder nada, pra que tudo, cada dança que entrega ao mesmo tempo fragilidade e um certo desajustamento; pra que aquela linda boca torta, aquela voz, ah aquela voz, rouca, incomodada, nunca mais parasse de cantar ao meu ouvido.
A garganta arranhava tanto que a vi tossindo duas vezes e cheguei a pensar que um terceiro acesso a obrigaria parar a música, senti a tosse chegando outra vez e fiquei ansiosa junto com ela. Ela, no palco, ia de um lado a outro experimentando cada retorno e apontado qual estava bom e ruim. Ia pra esquerda falar algo pro técnico de som escondido e uma das vezes voltou com uma bebida branca, que parecia algo pra amainar o incomodo com a voz.
Para nós, diante do palco, tava tudo certo, mas ela achou que não merecia nossos aplausos. Eu sei que todo mundo que lê esse nosso blog já tá careca de saber como foi. E eu sei que não serei capaz de achar as palavras pra contaro que senti vendo aquela guria, com jeito de menina que bem podia ta sentada do meu lado na platéia, cantando ali. Porque é algo que ficou impregnado em mim; toda vez que ouvi-la agora, vou lembrar, como acontece com o MR, que eu vi o que vi; que eu dividi com ela alguns sentimentos mesmo que ela não saiba disso - mas ela sabe!
E ainda agora, quando lembro disso, ainda posso sentir tudo de novo. Quando aqui, sozinha em casa, nesse dia de tempestade me toquei que há exatamente uma semana eu tava, naquele instante, abrindo o tal envelope que me emudeceu.
Lembrei também da noite de ontem, último dia do Tim Festival, na Pedreira, que não chegou nem uma ponta da menor unha dos meus pés perto do que foi um único show desse festival: aquele em que Chan Marshal se entregou pra nós e para quem os músicos entregaram, saindo um a um, ao final do show, seus instrumentos. Como se entregassem a nós seus instrumentos e sua música em oferenda, como se dessem pra gente um pouco deles pra guardarmos... aí, sim, eu chorei, convulsivamente, quebrando o silêncio da casa e pensando, mais uma vez, que eu nunca, nunca, nunca vou esquecer o dia em que Chan Marshall cantou pra mim. E nem tente me convencer que não foi pra mim, porque foi bem assim: ela olhou nos meus olhos e cantou pra mim e o mundo inteiro sumiu só pra ela poder “cantar e dançar pra mim", um dia depois do meu aniversário de 37 anos. Eu estava, literalmente, aos pés de Cat Power.

10/30/2007

National Garage

E nesta terça, 30, o OAEOZ toca no novo 92 graus, dentro da programação do National Garage, que tem 100 bandas em dez dias de maratona musical. Também toca hoje o Folhetim Urbano, além de Tonighters, Djoa e Mariatchis. o negócio começa cedo, tipo 20 horas. apareçammmmmm

10/29/2007

Noite de detalhes e intensas interpretações

Nem a garganta arranhando e a tosse diminuiram a força especial da performance de Cat Power

Adriane Perin/Jornal do Estado

“I’m Chan”, disse simplesmente a moça conhecida artisticamente como Cat Power, quase ao final de seu primeiro show no Tim Festival, quinta-feira, no Auditório Ibirapuera, depois de apresentar sua banda, a Dirty Delta Blues. Foi a segunda atração do evento que acontece em Curitiba dia 31, depois de passar por Rio de Janeiro e Vitória, mas com programação enxuta, e sem a poderosa gata. A noite, que teve também Antony and the Johnsons, foi de detalhes instrumentais e interpretações intensas. O Auditório meio vazio viu Toni Platão fazer bonito, mostrando o repertório de Negro Amor. Ele não dispensou o hit “Pros que Estão em Casa”, mas o ponto alto foi a impressionante versão de “Loiras Geladas”, do RPM. Mas, a platéia queria mesmo ver Chan Marshall, a guria que apareceu de jeans e cabelo preso em um rabo de cavalo, e que bem poderia estar sentada ao lado na platéia, tão “comum” parece ser. Jeito de menina moleca entrou sem alarde no palco e foi logo tirando onda, dublando Zuza Homem de Mello, que a apresentava.

Cat Power apareceu enquanto os jornalistas eram colocados no lado de lá da fita adesiva que delimitava o espaço para registro de duas músicas. Depois, não se podia atrapalhar as verdadeiras estrelas: a platéia. A reverência ao público marcou o começo do Tim. Ela tentou o tempo todo estabelecer algum tipo de contato visual com aqueles seres além da luz que a cegava, ávidos por ouví-la, por acreditar que era pra cada um deles que ela cantava. E isso aconteceu. Cat Power estava ali pra cantar pra 800 sortudos que em um silêncio extasiado, acompanhavam cada dancinha sem jeito, cada tique, que denunciavam uma sensação de deslocamento. Como se ela acreditasse mesmo que não merecia os aplausos, como disse ao final, depois de reclamar de questões técnicas. Pra platéia, no entanto, o som foi quase perfeito. Houveram instantes estranhos, mas nada que diminuísse a magia de estar ali ouvindo seu canto ronronado. Nem a garganta que arranhava, provocando tosse e exigindo uma bebida à base de limão, tiraram a beleza daquela curtíssima hora. A camista de brim amassada, o cinco azul, a boca torta ao cantar, a compulsividade do puxar o calça todo instante... desajustamento que cativa e nunca vai sair da memória.

O show não veio completo, não tem o clima soul que impregna o disco; ela não toca piano. Foi mais rock, cru. O que não é problema, afinal, olha as companhias da moça: o batera do Dirty Threee, Jim White; o guitarra do John Spencer Blues Explosion, Judah Bauer. No final, a boa notícia. Por desistência de Feist, paulitanos e cariocas ganharam a sorte grande: shows extra da diva moleca.

Os silêncios e a tagarelice de Antony

Depois de Cat Power foi a vez do som mais acústico do inglês Antony and the Johnsons

Adriane Perin

Antony and the Johnsons fechou a primeira nhoite do Tim Festival
Depois de Cat Power foi a vez do som mais acústico do inglês Antony and the Johnsons, que também ganhou sessões extra por conta da crise de labirintite que impediu a vinda da canadense Feist. Mais conhecido e badalado, ele entrou no palco com a platéia, agora sim lotada, ganha. Fez um show legal, cheio de nuances, acompanhado de uma banda de prima. Sem largar jamais seu piano, falou muito, engajado em um feminismo tão manhoso quando perigoso e até um tanto oportunista. Mas, tudo bem, foi só pra fazer média com as mulheres, mesmo que até sua violoncelista tenha ficado tímida diante dos adjetivos direcionados às mulheres. Um show impecável, mesmo com os erros que provocaram pedidos de desculpas e o reinício das canções, sob aplausos. Foi um show muito bonito para encerar uma noite especial, com um repertório cheio de silêncios e detalhes e algumas de suas mais famosas canções, como “For Today I Am a Boy”, com direito a um cover inusitado de “I Will Survive”, de Gloria Gaynor. Foi um show na medida, mais um pouco e poria a ponta dos pés na chatice.

O Auditório
Um dos endereços do Tim em São Paulo foi o Auditório Ibirapuera um ambiente contemporâneo criado por Oscar Niemeyer, dado de presente a São Paulo em seu aniversário de 450 anos pela empresa de telefonia promotora do Festival. Todas atenções dos paulistanos que estavam lá, no entanto, pareciam se direcionar ao Festival de Cinema, mais comentado que o Tim, inclusive entre jornalistas que não sabiam nem qual seria o segundo show do Tim Festival. O cinema estava impregnado também naquele ambiente amplo e branco de Niemeyer. Se por um lado foi legal a idéia de apresentar estes shows num teatro, por outro, ficou um clima meio frio demais, contrastando com o astral intimista das performances. Se bares e casas noturnas têm seus ruídos e conversas paralelas que atrapalham o desfrute da música, por outro lado, também trazem uma proximidade que as cadeiras marcadas tiram. Lá dentro se perde a noção até de que estamos dentro de um belo parque. No show de Cat Power, especialmente, a vontade era chegar mais perto ainda, sentar no chão à beira do palco e fechar os olhos, tomando um drinque e fumando um cigarro, enquanto ela cantava.

A segunda noite foi na companhia do jazz

Atraso de 40 minutos não impediu boas perfomances

Adriane Perin, Jornal do Estado

Se o primeiro dia do Tim Festival foi de reverência ao público, o segundo pode se dizer que foi de reverência aos músicos. Não que quem estivesse no palco desprezasse sua platéia. Ao contrário. Só que a dinâmica do jazz é mesmo diferente e faz com os músicos se voltem mais um para o outro, estabelecendo um diálogo sempre interessante de se observar. A noite de sexta-feira passada começou com 40 minutos de atraso, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. Noite de jaz foi com um público diferente do que dominou a primeira noite. Saíram de cena o tênis e entraram os sapatos de bico fino. O primeiro foi o menino prodígio Eldar, de 20 anos, dando um verdadeiro show. O rapaz nasceu no Quirguistão e ainda criança chamou atenção. Em sua primeira passagem pelo Brasil, ele foi logo detonando seu piano, mostrando porque as palavras virtuose e prodígio andam quase sempre lado a lado quando se fala dele. A banda também se mostrou a altura.
Lisa Ekdhal, ocupou o lugar deixado pela cantora Roberta Gambirini. Menina nova, de voz beirando o infantil, ela fez bonito, em seu vestido longo vermelho, um pouco nervosa. A terceira apresentação da noite dividiu opiniões e muitas pessoas começaram a deixar seus lugares. Também por causa do atraso. Foi algo mais fusion o que mostrou oSylvian Luc Quartet, com destaque para a harmônica que quase roubou a cena. Sairam as sutilezas da voz aveludada de Lisa, para entrar em cena os virtuoses instrumentais. Saiu um clima mais de feeling para entrar a técnica apurada, que também rendeu bons momentos. Mas, o melhor estava mesmo por vir e, infelizmente, foi visto por menos gente do que merecia, à uma da manhã de sábado. O show de Stefano di Batista Quartet foi arrebatador. Com um órgão, trumpete e bateria no palco, ele fez o melhor show da noite. Os comentários na saída eram sempre acompanhados por exclamações maravilhadas. O trumpetista Fabricio Bossa até parecia a estrela da noite, tal a, merecida, atenção que recebia de Stefano. Aliás, os duetos desses dois caras chegaram perto do sublime. Toda a banda de primeiríssima fez valer cada instante. Stefano, bem humorado, falou o tempo todo em um misto de português, castelhano e italiano, tentando se comunicar. Enfim, belos dois primeiros dias foram estes do Tim Festival 2007.

10/26/2007

raios triplos !



E aqui mais uma palinha. Santo you tube. Judah Bauer arrepiando no slide. benzadeus!

MEEEEEEEEEEEERRRRRRRRDAAAAAAAAAA!



e eu perdi isso.
e ela ainda teve a manha de começar o show simplesmente com Don´t explain, da Bilie Holiday. E o guitarra é o cara do John Spencer Blues Explosion. E o batera, é do Dirty Three.
o mundo definitivamente não é um lugar justo.

E abaixo, pra aumentar e alimentar minha frustração e raiva comigo mesmo, o texto do Jotabê Medeiros, no Estadão:


"Como se fosse uma gata em teto de zinco quente, Cat Power anda pelo palco inventando gestos, inventando desconforto acústico, inventando uma dança que conspira contra a música (uma vai para lá, outra vai para cá). Nunca ninguém terá visto alguém saudar a platéia assim, semi-inclinado, com a perna para trás, a cabeça grudada no braço e o braço estendido para cima, fazendo um aceno desajeitado de toureiro.
De sapatos brancos, jeans muito justo e camisa muito larga aberta com camiseta por baixo, ela abriu a noite com Don’t Explain, canção que Billie Holiday imortalizou. Cat Power não parece ser a dona daquela voz imensa que enche o Auditório do Ibirapuera - e ainda assim, Chan Marshall, seu nome real, reclama o tempo todo do som, colocando os ouvidos nas caixas de som de retorno, fazendo as mãos nos ouvidos em concha para escutar a ambiência do som entre o público, apontando o microfone para o técnico invisível e pedindo com o dedo para cima para ele aumentar o som. Um João Gilberto de franja e rabo-de-cavalo (e bonitaça).
Menina inquieta, palhaça, faz micagem enquanto a voz de Zuza Homem de Melo a anuncia nos alto-falantes, fingindo fazer uma dublagem do venerável critico. Sua voz falhava em algum ponto? É possível, mas sua arte de intérprete é muito maior do que qualquer gap. Tomava uns goles de um líquido estranho, apertava a garganta com os dedos em pinça - talvez só a recente passagem de Joanna Newsom pela cidade possa se igualar à experiência de ouvir essa moça inquieta.
Cat Power cantou músicas que são amplamente conhecidas, mas que ninguém reconhece de imediato porque elas as seqüestra para si, como Lost Someone (James Brown), Silver Stallion (Lee Clayton), Ramblin’ Woman (Hank Williams). Ou então, coisas do tempo em que, como ela disse, era apenas uma pirralha, como Lord Help the Poor and Needy, da obscura cantora de blues Jessie Mae Hemphill.
Os músicos vão saindo do palco um a um, primeiro o guitarrista, depois o baixista, depois o tecladista, e finalmente ela se apresenta ("Eu sou Chan") e também sai, e fica só o baterista. Volta imediatamente com a banda (que baterista, esse Jim White, da banda Dirty Three) para dois bis apressados: Lived in Bars e I’ve been Loving You (de Otis Redding). Depois, amassou uma folha de papel com o repertório do seu show e virou de costas, jogando-a para os fãs como um buquê de noiva."
(...)
"Cat Power busca sua singularidade num repertório quase extinto, injetando alguma sujeira no blues, tingindo tudo de soul com sua voz rouca (talvez só Janis Joplin tenha ido tão longe nessa ousadia)."

10/25/2007

da série "eu já sabia" - Sigur Rós e monodia


A música "Improviso II", da banda porto-alegrense Monodia, é uma das seis finalistas de um concurso promovido pelo grupo Sigur Rós e pelo website "Artists in Residence". A banda começou em 2003, e é formada por Ernani Fração, Claus Pupp, Desirée Marantes e Carlos Wolff. Eles estão nas nuvens e dizem que, mesmo não conquistando o "troféu", ser ouvido pelos músicos que admiram já vale. A composição selecionada faz parte do segundo trabalho do quarteto, Esquerdo, que está disponível para download na internet e ainda não teve um lançamento oficial em disco.

Embora ainda pouco conhecida, mesmo em sua cidade-natal, a Monodia já deixou um rastro que a diferencia no mundo da música independente e, mais ainda, da produção gaúcha clássica. O quarteto se inscreve numa vertente da produção contemporânea do extremo Sul que deixou de lado as letras adolescentes, falando de sacanagens e farras para tratar de temas mais pessoais e menos festivos, por assim dizer. Trafegando por sonoridades mais densas e letras introspectivas, eles aliam-se mais às propostas de bandas como Blanched e Deus e o Diabo (na qual Desirée toca violino). A temática mais existencial é envolvida por camadas sonoras que lhe dão maior complexidade, ao mesmo tempo que rejeitam a virtuose gratuita. O resultado são canções introspectivas e de beleza peculiar, e vocais que parecem sussurrar verdades incômodas em nossos ouvidos.
A boa performance da tímida banda gaúcha, concorrendo com propostas musicais do mundo inteiro, demonstra que seu potencial vai bem além até do que os próprios músicos acreditam. Só falta o Rio Grande do Sul e o Brasil conhecerem melhor esse rebento musical.

por Adriane Perin


baixe Esquerdo - do Monodia AQUI

10/24/2007

Nos tempos de hoje se pode tudo, mas falta a utopia”

Jornal do Estado

O poeta carioca chacal conversa sobre o lançamento de dois livros dos quais participa e poesia em geral


Adriane Perin



Divulgação

Chacal ganhou uma antologia e uma biografia do grupos que fez parte, o Nuvem Cigana
Ele viu na sua frente Allen Ginsberg, lá nos anos 60. Estava lá nas “Dunas do Barato” e foi um dos primeiros a usar o mimeógrafo como instrumento em favor da arte literária. Também estava junto com a Blitz quando ela mudou a rota da música brasileira, trazendo o rock pop cantado em bom português novamente para o centro das atenções. Ele é Ricardo Duarte Carvalho, conhecido como chacal, um senhor poeta de 53 anos, que teve recentemente sua antologia lançada pela Cosac & Naify e viu a história de um grupo de artistas cariocas, o Nuvem Cigana, do qual fez parte, também virar livro, Poesia e Delírio no Rio dos Anos 70, organizado por Sergio Cohn, pela Azougue Editorial - Também foi uma das mentes criadoras do evento multiáreas Free Zone, que teve duas edições em Curitiba, e é “O” cara do carioca CEP 20.000, que há 20 anos, reúne gerações de poetas. Agora, ele agora quer se dedicar à formação de platéia, estimulando a arte-educação. chacal bateu um papo com o JE sobre os riscos de um futuro sem poesia. Agora, você lê trechos da conversa.

JE — Tenho a impressão que pouca gente conhece a história do Nuvem Cigana. O livro de Sergio Cohn ajuda a diminuir a desmemória crônica do brasileiro?

chacal — O Nuvem lançou os Almanaques Biotônico Vitalidade e naquele período até ficamos mais conhecidos por pessoas ligadas, mais até fora do Rio de Janeiro. Não havia algo semelhante na época (N.R. Mal comparando, lembra um pouco as agendas da Soma ou da Tribo, mas mais autoral). Depois dos anos 70, cada um foi pro seu campo e eu mantive a mesma pegada até hoje. Sobre as pessoas não terem memória é porque o registro da memória no Brasil é muito pouco valorizado. Esse material da poesia marginal está em bibliotecas dos Estados unidos, mas não no Brasil. E a memória de um passado muito recente é mais difícil ainda. Porém, é importante que as pessoas saibam de onde vieram as lutas diárias alternativas, afinal as práticas independentes não começaram agora – e não tínhamos internet. Éramos proto-punk, já exercitávamos o do it yourself. Era: faça você mesmo do jeito que der.

JE — Sem internet e com a ditadura no cangote...
chacal — O que paradoxalmente era um estímulo maior aos alternativos do que hoje, quando é tudo liberado. Pode tudo, mas falta utopia. Não tem o vencer o inimigo, lutar junto por alguma coisa. Primeiro veio a poesia, gravar disco era muito caro. Mas, logo depois vieram dos discos também, com Antônio Adolfo, a Barca do Sol. Ainda demandavam alto custo, já o mimiógrafo era mais barato e foi isso que alastrou como epidemia pelo Brasil. Qualquer um podia escrever e publicar.

JE — Vencer a precariedade era a onda dessa geração, e como você vive com a internet?
chacal — Você vai se adaptando as novas linguagens. Pra mim, que estou com 53 anos, é um pouco mais dificil, não nasci plugado. Estou fazendo um blog, aprendendo, mas é difícil. Agora tô espalhando um monte de flyers do CEP 20.000. É uma arma poderosa, mas é como você falou antes: muita informação. Como na época da poesia: se fazia muito, porque era barato, mas pouco ficou realmente. Na era da internet vai ser a mesma coisa. É uma ferramenta, resta fazer algo de qualidade.

JE — E o mercado editorial como se modificou?
chacal — Aí houve uma oscilação do material alternativo dos anos 80. Gravadoras encamparam muita coisa, que foi descoberta pelo público jovem. O jovem passou a aparecer mais intensamente nos anos 80. Eu tive participação nisso, junto com a Blitz, estava no primeiro estouro da banda. Se tornar mais oficial tem vantagem e desvantagem: amplifica o barulhinho que faz na garagem e o trabalho do mimeógrafo. Quando vendi mais foi em 83, pela Brasiliense, com as Cantatas Literárias, junto com Leminski, Chico Alvin. Por outro lado, o produto fica com menos cara do poeta, há muito interferência da indústria. A gente perde em termos de corpo a corpo. Vai direto pras livrarias, mas o leitor não conhece o autor, que por sua vez, não tem o mesmo retorno.

JE — O blog pode ajudar na reproximação...
chacal — È um diálogo imediato, disso gosto muito. E também estou curtindo poder misturar imagens. Estou fascinado, é meu mini-canal de tevê. Um meio não é melhor que outro, são complementares.

Rápido e rasteiro

Vai ter uma festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir pra parar.
Aí eu paro, tiro o sapato
e danço o resto da vida


***

A vida é curta
pra ser pequena



dois poemas de chacal

Ficar só no sonho, é repetição

O poeta carioca chacal conversa sobre o lançamento de dois livros dos quais participa e poesia em geral

Chacal ganhou uma antologia e uma biografia do grupos que fez parte, o Nuvem Cigana
JE —
O que ficou de melhor e de pior desta fase?
Chacal — De melhor, a dimensão lisérgica, a psicodelia. Porque ela te dá outra dimensão da existência, uma possibilidade de utopia. De sonhar e ao mesmo tempo realizar coisas. E o pior é o excesso dessa mesma psicodelia. Descontrole, a desconexão com a realidade, quando se vai ao extremo. O sonho tem que ser feito acordado. Sonhar dormindo vai provocar só repetição sem realizar nada. Aquela época foi minha encubadora e aprendi essa coisas que tento realizar agora.

JE — O que a poesia provoca em você e o que ela pode fazer por nós hoje?
Chacal — Educação do espírito. Como se o teu espírito fosse um violão e você tivesse que afinar as cordas. O autor usa a poesia pra afinar essas cordas, ou seja, o seu ser. Pro leitor, é uma fonte didática tanto quanto o livro de matemática e Ciências. Estou cada vez mais convencido da importância da arte como educação. Mesmo que não se tenha consciência imediata, a pessoa está sendo transformada emocional e intelectualmente. Quero trabalhar cada vez mais profundamente nisso. Também é questão de mercado, pois se não houver esse tipo de educação a arte vai ser uma grande pastelaria. Porque as pessoas que estão no primeiro e segundo graus, fase de se educar, estão vendo Xuxa, lendo porcaria. A gente tem que tentar dar visão crítica. Não é dizer o que é bom, mas oferecer opções.

JE — Se fala nisso, mas é tão difícil notar algo concreto.
Chacal — É difícil mesmo, mas tem que brigar, não desistir. A mídia tem que dar valor ao conhecimento, pra que as crianças valorizem também. Elas não tem mais valor a não ser a roupa famosa. E falta também a dignificação do professor. Ele tem que poder se reciclar, se interessar. Como? Lendo, ouvindo, abrindo a cabeça. Tudo começa com professor. Senão, eu quero ir nas escolas e não consigo porque eles filtram.

JE — E a Cosac & Naify também tá lançando uma antologia sua...
Chacal — Estou feliz e ela cumpre uma função importante, de engrandecer o livro. Mas é cara e por isso não cumpre outra função, a de ser pro segundo grau, mais barato. Já estou preparando outro, com menos poemas, brevemente analisado, situando a época, pra entrar no programa nacional de biblioteca escolar. O Ministério da Educação compra e distribui. É bom duplamente: dá dinheiro para o autor e forma público. Se não pensarmos a médio prazo a poesia vai ficar só pra iniciados. Vai virar música, roteiro de cinema. Mas a coisa da poesia, da palavra solta, escrita ou falada, se não houver cuidado, já era. Os editores e poetas se conformam com o 500 leitores iniciados. Para as editoras é prestígio, e tem um prejuízo pequeno

JE — Como as gravadoras, as editoras também precisam achar outros caminhos?

Chacal — Ou faz isso ou acaba.

10/17/2007

O que alguns dizem é isso

Foto: Geisa Müeller





fotos: Gabriela F.






"Claro, seria ótimo se mais pessoas compartilhassem daquele momento, se a casa estivesse cheia, se a emoção de “Dias Tortos” pudessem pousar em corações que nunca a ouviram. Mas o tempo já está me deixando entender que as pessoas não querem essa emoção que dói ao ser exposta, preferem aquela que podem expressar com duas palavras fala direto às suas terminações nervosas, não às emocionais. Que uma banda que faz uma canção sobre sua própria amizade e persistência (“Canção para OAEOZ”), sobre a importância que a música tem para eles, uma banda assim não interessa. Uma banda que faz música para ser ouvida, não para ser pano de fundo de escritórios tediosos, cafés-da-manhã de hotel ou mesmo PCs de quem acumula arquivos mas descarta a música, de quem busca paixões mas não consegue cultivar amores e lidar com frustrações. Porque é disso que se trata OAEOZ, e foi isso que tivemos, todos nós, aquela noite."

Leo Vinhas

como diria o Linari, sem palavrs

vai lá e leia a íntegra

minha horta, meu jardim de cactus: no nosso quintal

A primeira profissão que minha mãe achou que eu seguiria foi a de agrônoma. Quanto comecei a aprender a mexer com a terra na escola, adora mostrar pra ela, quando nos encontrávamos nas férias, as plantinhas e explicar sobre cada parte dela. Alguma coisa lembro vagamente, como eu o fato de que arrancar a raiz não é garantia de que a muda poderá ser usada ou que o mato vai sumir. É que existe uma coisinha chamada coifa, na ponta dela que, se não estou enganada, é a essência de tudo. E se ela ficar no meio da terra o mato nasce novamente. E se cortarmos ela fora a muda não vai vingar. Não sei mais se é isso mesmo, mas nunca esqueci da tal pontinha de raiz que garante a vida. Aquele meu prazer ficou guardado em algum canto da memória e voltou algumas vezes diante do meu deslumbre com as plantas, que sem dúvida são uma das minhas paixões a serem exploradas. É a única situação em que consigo conceber algo próximo do que as pessoas chamam de deus, é quando olho toco e sinto as plantas. Agora mesmo, devia tar saindo pro meu inglês e to aqui encantada com os nosso pés de morangos. Genuínamente nossos: uma muda trazida pela minha mãe que deu os primeiros dois lindos frutos vermelhos outro dia e agora tava carregadinha novamente. Quase caí no choro ao ver que o tempero que plantei, aquele mesmo que tentei tantas vezes em vasinhos em outras casas e nunca vingara – e que nunca sei se é o cominho ou o tomilho, mas acho que é este último - vingou. De uma dessas mudas compradas em mercado mesmo, aquelas que insistiam em secar e morrer na casa azul; aqui está se espalhando.
Não sei definir que tipo de alegria é esta que leva pra longe tudo de ruim que possa estar por perto, que deixa meus dedos pretos de terra, pés igualmente sujos e me arranca da sensação esmagadora dos dias escorrendo entre os dedos. Esse cheiro de terra úmida – que é diferente do de poeira em dia de chuva – que toma conta de mim, parece até que consegue parar o tempo, enquanto empunho a enxada me debatendo com o mato que insiste em ser mais ágil que minhas plantinhas e contra os quais me jogo, arrancando-os pra que as deixem, plantas, frutas, flores, crescerem.
eu sabia que gostava de tudo isso, sempre soube. Mas agora, que estamos na nossa casa, que eu to fazendo uma horta que vai ter até aquelas cerquinhas de madeira, agora que basta abrir a porta da cozinha e ver esse verde se espalhando, e dar cinco passos pra colher o que vai ser servido....tá tudo mais vivo.
E vou fazer também um jardim de cactus, espero que um dia tão lindo quanto o maravilhoso feito pela mãe do igor, que nunca, nunca, esqueci.
sinto que isso tudo vai cada vez mais tomar conta da minha vida. Hoje, vim pra casa a tarde, pra fazer uma entrevista com alguém do Tim Festival. Não rolou.. e daí? Agora vou lavar as mãos e vou pro meu inglês muito melhor do que estava antes de chegar aqui, muito melhor do que estava ontem... pensando na nossa horta e no nosso jardim de cactus... (adri)

10/15/2007

“Só o amor vai fazer você melhor”


OAEOZ e Rubens K - Meg & John


Giacarlo Rufatto - Venha comigo

E o show dos dez anos do OAEOZ veio e se foi. Tanta coisa passou pela minha cabeça pra dizer sobre isso nos últimos dias, desde a quinta-feira a noite, mas agora deu branco. Como disse a Adri aí embaixo, ficou só um imenso vazio, uma sensação de que tudo se dissolveu, desceu pelo ralo, escorreu até o bueiro mais próximo e desapareceu. Como se o show tivesse sido uma espécie de expiação, de exorcismo, de acerto de contas comigo mesmo. E agora, passado isso, não há mais nada pra dizer. Queria eu ter o talento de um Leonardo Vinhas (grande Leo) pra exprimir tudo o que senti nesses dias desde os primeiros ensaios até o show e depois o churras no feriado. Mas não tenho e não sei se tenho também força e vontade de fazer isso.
Me lembrei do show do Nirvana no holywood Rock, no RJ, em 1994, que eu revi esses das em dvd, e no qual, depois de tocar durante inacreditáveis 2 horas e 20 minutos de um show inacreditavelmente intenso, o Kurt Cobain simplesmente se abaixa, coloca a guitarra no show e sai engatinhando do palco, sem dizer boa noite, tchau ou qualquer coisa. Como se dissesse "taí, tudo o que eu podia fazer, mostrar, entregar, minha alma e meus sentimentos mais profundos, taí, não tem mais nada pra dizer", só resta se arrastar de quatro pra fora do palco em busca de um pouco mais...

Enfim, no momento, o que me ocorre é só dizer o óbvio, que o show em si foi ótimo, correu como a gente planejava, com exceção da participação do André que não rolou por que ele não conseguiu retornar à tempo da viagem, mas tudo bem. E da mesa de gravação de áudio que deu pau e não gravou nada. Nada que comprometesse a apresentação em si.
O fato de ter tido pouca gente (cerca de 50/60 pessoas) também é o de menos. Como eu comentei, há muito tempo eu deixei de alimentar qualquer tipo de expectativa, ou esperar qualquer coisa do público de Curitiba. Até porque mesmo assim ele sempre consegue me surpreender negativamente. Mas quem importa, os nossos amigos, estavam lá. E no final, é isso que fica, a música e os amigos que a gente faz pelo caminho.
Mas voltando ao show, foi muito legal revisitar todas aquelas canções – quatorze no total – e mais uma vez confirmar a força que elas têm de dizer e contar as nossas histórias. Até hoje me emociono, por exemplo, quando ouço ou toco o refrão de Contato: “a cidade dorme pra ela poder dançar/ no meio da rua/ como uma onda movida pelo vento/ como uma brisa que faz/ a onda se quebrar”. Tenho o maior orgulho de ter feito parte disso. E fico feliz, sim, muito feliz de saber que um cara como o Igor, que estava há um bom tempo afastado dos palcos, voltou a eles novamente pra tocar com OAEOZ.
E também fico muito feliz de tocar uma música como Meg & John, que nasceu lá nas nossas despretensiosas lisergic brainstorms do apto no edifício Tijucas, enquanto lá fora rolava o coral do antigo Bamerindus. E de colocar o Rubão pra cantar ela com a gente. E ver a satisfação dele em estar ali com a gente, a ponto de ter feito o terminal desmarcar um show em Londrina só pra estar lá com o OAEOZ. Valeu Rubão, você sabe, não preciso falar nada.
E ver o Leo Vinhas se abalar junto com a namorada lá de Foz do Iguaçu, só pra estar com a gente nesse show é algo que faz tudo o mais sem sentido, menor, desimportante. Ver ele deitado no chão do porão enquanto a gente tocava Dizem. É como o Gian comentou, "mas vocês têm um cara que vem de Foz pra cá só pra ver oaeoz”. E é real. Total real. Com o OAEOZ sempre foi assim. Não tem meio termo. É “ame-o ou deixe-o”. Não tem tapinha nas costas, nem mãozinha na cabeça. Não gostou, sai fora. Vai procurar tua turma. De gente medíocre eu quero distância. Como diria o Kerouac, para mim, interessa mesmo “são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício”.
A verdade é que apesar de todo o cansaço, desgaste, vontade de “jogar tudo pro alto, abandonar, fugir, me esconder, desistir”, não existir, dez anos depois daquela fatídica tarde de sábado, 11 de outubro de 1997, quando eu o Igor e o Camarão nos reunimos a primeira vez na casa verde do campina do siqueira, acho que nunca senti tanto prazer e toquei com tanta consciência quanto nesses últimos dias de ensaio e no show dos dez anos propriamente dito. Consciência de como aquelas canções são importantes pra mim, fazem parte da minha vida, estão impregnadas no meu corpo, no meu suor, na minha respiração. Afinal, além da Adri, da minha mãe, minha irmã, e meus amigos, elas são tudo o que eu tenho na vida. E no dia em que eu não estiver mais aqui, quando alguém quiser lembrar de mim, é só colocar uma delas pra rolar. Sei que pouca gente ta interessa nelas. Em um mundo em que a música virou um arquivo sem rosto, sem cara, muitas vezes até sem nome, há pouco ou nenhum espaço para uma música tão pessoal e passional como a do OAEOZ. E isso não é uma reclamação, não, longe disso. É apenas uma constatação óbvia. E por mais que possa parecer o contrário, isso já não importa mais. Porque nada nem ninguém pode me tirar o prazer e a satisfação de saber que eu ajudei a criá-las, a coloca-las no mundo. O prazer de tocar e ouvir uma canção que te emociona e traz de volta sentimentos que estão ali aprisionados como numa caixinha de música. E a satisfação de que mesmo que apenas para muito poucos, essas canções fizeram algum sentido, e ajudaram de alguma forma algumas dessas pessoas a sentirem melhor, mais vivas, com vontade de chorar e estar com quem se ama, de ligar praquele amigo que há muito tempo você não vê. “Voltar pra casa e se desculpar/olhar nos olhos/sentir vontade/de abraçar forte”. É isso na verdade o que importa. O que fica, as canções e os amigos que a gente conquistou nesse tempo todo. As risadas, as viagens malucas, os amanheceres embriagados, as luzes da estrada, “a chuva que cai fazendo a noite um pouco mais vazia”, como diz o Gian. Porque um dia, tudo vai acabar. Como já dizia o antigo compositor baiano hoje ministro: “o sonho acabou/quem não durmiu no slepping bag nem sequer sonhou”.
Nós do OAEOZ, ousamos sonhar, e bancar esse sonho. Até o fim. Até o limite das forças. Até não ter mais nada pra dizer, como nesse texto longo e sem sentido. Vomitado. Esvaído. Porque desde o começo, só e tudo o que eu queria mesmo "era fazer uma canção pra você".





O set list final

De inverno
Recado
Contato
Me apaixonei por uma burguesa
Monumentos sem cabeça
Disco riscado
Meg & John
Talvez
Waking up
3h30
Dias tortos
Canção para oaeoz
Dizem
Lembranças (não valem nada)

e agora, é descansar um pouco, terminar o disco de estúdio, o ao vivo no Grande Garagem. e dia 30, pra fechar o ano, a gente toca no National Garage, no novo 92. Nos vemos lá.

ressaca!

Ainda me sinto de ressaca. Mas não é da bebida, não, desconfio. Nem do cigarro. é de tudo um pouco, inclusive desses dez anos de OAEOZ. No sábado, eu e ivan conversávamos quando ele comentou que sentia-se como em um pós-Rock de Inverno. “Alguém anotou a placa?” OAEOZ 010, ou algo assim, brinco. Uma certa malemolência meio mal humorada, no meu caso, vontade de nada fazer e uma sensação de vazio. Principalmente essa sensação de vazio, um gosto esquisito. A euforia do ver que tudo deu certo, foi, junto de um sabor amargo, cansaço, de notar que poucos dividiram mais esse momento. Salve Léo Vinhas, grande figura, e Lidiane. Valeu a vinda, voltem sempre!

O show d'OAEOZ foi dez. Repertório impecável, amigos por perto... mesmo com o bar quase vazio. De volta a algum começo... outra vez. não importa. agora, é como se o ano tivesse acabado. Mais um. To perdendo o tesão de fazer shows. É tanta ansiedade... Não que os tenha feito tanto assim, mas as falhas reincidentes, que não conseguem ser corrigidas pelos meus discursos, me irritam profundamente. Não fiz metade do que gostaria, mas por outro lado, se tivesse feito ia estar de cabelo em pé, hoje...
Já estamos só os dois em casa, silêncio e um dia chuvoso pra aquietar o espírito. só quero ficar quieta, com a cara enfiada no meu livro (valeu Conrad e Jung!) Não tenho muito que falar do show. Então assistimos as gravações. Uma, duas, três vezes. Ficaram bem legais, eu tô aprendendo. Daqui a pouco o ivan deve colocar algo com um de seus textos arrebatadores sobre a noitada.

O Igor, de volta aos primeiros tempos,... não deixa de ser irônico (e adorável!) que tenha sido OAEOZ que o tirou do “retiro dos artistas” e o recolocou de volta no lugar que é seu por direito: o palco. Não sai mais daí não, Igor. Tem gente que precisa da sua música, pode acreditar nisso, meu! E ver o Rubens no palco ao lado do ivan, então, provocou outro lindo flashback. E tinha que ser cantando meg e john, essa canção tão especial que fica ainda mais especial quando vocês dois cantam. Dias Tortos, há tanto não a ouvia. E Talvez, então, a primeira música com os vocais assumidos pelo ivan. E Contato, Recado, Waking up, Disco Riscado... enfim...

E o que foi a apresentação do Gian? Definitivamente, não é pra qualquer um e sou muito feliz por estar na lista dos que assinam embaixo. Já o tinha visto cantando nas esquina das marechais, mas ouvi-lo assim é mais indiscritível...Ficar ali, no pé do cara, registrando seu esforço, vendo o suor escorrer, suas inquietudes, insatisfações, os pensamentos que se manifestam também em forma de um profundo suspiro de alívio ao final de outra canção, densa, que parece quase fazer o Gian sofrer, se perguntando "onde foi que eu errei", fazendo sua "reza" . é como digo, ninguém sai ileso de dentro de certas canções, nem quem as faz tem o controle. Um ciclo se fecha. Em vários sentidos, no que me diz respeito. Nada mais será como antes...

10/09/2007

OAEOZ no Tudo Paraná

Fotos Yaskara


E o blog Sobretudo, do grande Luiz Cláudio Oliveira, o Lobão, destaca os dez anos do OAEOZ e o lançamento do single. Acima, duas belas fotos feitas pela Yaskara no show do Grande Garagem que Grava. Valeu Yaskara.

Confiram aqui

10/08/2007

CANÇÃO PARA OAEOZ NO SCREAM YELL


"Uma década distribuindo boa música pelo cenário independente é um fato que deve ser comemorado. Bandas surgem todas as noites, bandas acabam todas as manhãs. Um grupo permanecer na ativa por uma década apenas pelo tesão de se fazer o som que gosta não é pouco, e diz muito sobre a paixão que esses caras sentem por algo maltratado/usado pela indústria, e que um dia convencionou-se ser chamado música."

Como diria aquela música chata do seu jorge e ana carolina, "é isso aí!". O parágrafo acima é um trecho do texto do nosso grande amigo Marcelo Costa, que disponibilizou, a partir desta segunda-feira, 08 de outubro, o novo single virtual do OAEOZ, com exclusividade, no site Scream Yell. Vão lá, baixem, ouçam, comentem. Pra gente é uma honra lançar o single pelo SY, que desde que conheci nunca deixei de acompanhar, e até hoje é um dos melhores sites sobre música e cultura pop do País. E não é porque o cara gosta do OAEOZ, não, até porque eu já curtia o site muito antes do Marcelo falar qualquer coisa da banda. Simplesmente porque me identifico com o que ele escreve, e sinto que tem muito a ver com o que a gente pensa e faz. Assim como OAEOZ, o Marcelo não compactua com esse cinismo, essa empáfia, essa acomodação que contamina grande parte dos mass media no Brasil. Felizmente ainda podemos contar com pessoas como ele, que escrevem com o coração, e não precisa ficar fazendo pose de cool, de hypado, pra parecer relevante.

Enfim, vão lá no Scream Yell e confiram

10/06/2007

CANÇÃO PARA OAEOZ


e daqui a pouco, a partir das 17 horas deste sábado, a estréia radiofônica do nosso novo single, "Canção para OAEOZ", no programa Cena Local, da Mariele Loyola (Cores D Flores), na 91 rádio rock.

OUÇA AQUI

e segunda-feira (08/10), o lançamento com exclusividade do single virtual pelo site Scream Yell, do jornalista Marcelo Costa.

AQUI

e segue a carruagem...

10/02/2007

OAEOZ comemora dez anos com show e novo single


Apresentação terá a participação de parceiros e ex-integrantes, músicas de todas as fases do grupo curitibano, e o lançamento do single “Canção para OAEOZ”

A banda curitibana OAEOZ comemora seus dez anos de atividade no próximo dia 11/10 (quinta-feira), com um show especial e o lançamento de um novo single. O show, que acontece no Porão Rock Club, terá a participação de parceiros e ex-integrantes, como Igor Ribeiro, André Ramiro (ruído/mm; Índios Eletrônicos), e Rubens K (Terminal Guadalupe). No repertório, músicas de todas as fases da banda, desde a primeira demo, homônima (OAEOZ, 1998), passando pelos discos Dias (2001) e Às Vezes Céu (2005), e chegando ao novo disco, que o grupo está finalizando e deve ser lançado até o final do ano.
Além disso, o show marca também o lançamento do segundo single extraído das gravações do novo disco. “Canção para OAEOZ” é a primeira composição do guitarrista Carlos Zubek gravada pela banda e que ele também interpreta fazendo o vocal principal. Como “lado B”, uma versão para a música “Loucura”, do Ídolos de Matinee, banda curitibana dos anos 80.
O OAEOZ surgiu em outubro de 1997, formado por Ivan Santos, Igor Ribeiro, Hamilton de Lócco (bateria), e Rodrigo Montanari (baixo). Com essa formação, lançou duas demos - OAEOZ (1998) e De Inverno (1999), e dois CDs - Dias (2001) e Take um (2002). Participou das coletâneas, “Novos sons fora do eixo” (2202), lançada pelo selo independente De Inverno Records em parceria com o Jornal do Estado; e “Raízes da terra” (2003), pelo jornal Gazeta do Povo. Tocou no Free Zone em setembro de 2002, e ajudou a criar o festival Rock de Inverno, que deu origem ao selo De Inverno, mantido por Ivan e pela jornalista Adriane Perin. Com a saída de Igor no final de 2002, o grupo incorporou André Ramiro (Alphapsicotics/ Iconoclastas) e em seguida Carlão Zubek (Sabadá/Folhetim Urbano).
Em 2005, lançou Às vezes céu - seu primeiro álbum totalmente gravado em estúdio - com shows no teatro Paiol, em Curitiba; e em São Paulo , no clube OUTs e no Centro Cultural de SP. Com a saída de André Ramiro (guitarra), que participou das gravações do novo disco, mas deixou o grupo em 2006 para se dedicar aos Índios Eletrônicos e ao ruído/mm, o OAEOZ voltou a ser um quarteto.
Em julho deste ano a banda lançou o single virtual “Impossibilidades”, que logo em seguida foi selecionado para estrear o projeto Compacto.rec - série de compactos virtuais lançada pelo Circuito Fora do Eixo, que reúne produtoras, selos e festivais de todo o País. Com isso, “Impossibilidades” foi relançada pelo Compacto.rec simultaneamente em um pool de 30 sites que disponibilizaram para download gratuito um kit com as duas faixas em mp3, capa, contracapa e label do CD para impressão.
No último dia 1º de setembro, a banda se apresentou no projeto Grande Garagem que Grava, que tem o apoio da Fundação Cultural de Curitiba, e é comandado pelo pessoal da Chefatura Records, produtora integrada por músicos remanescentes das bandas Beijo AA Força/Maxixe Machine. No show, o OAEOZ registrou ao vivo cinco composições inéditas, que serão lançadas em CD pelo projeto. Além disso, a banda prepara o lançamento de seu novo disco de estúdio, com outras oito composições inéditas, gravado por Luigi Castel, que também responde pela mixagem ao lado do guitarrista Carlos Zubek.


OAEOZ
Show de comemoração dos dez anos da banda
Lançamento do single “Canção para OAEOZ”

Quinta-feira
11 de outubro
22 horas

Porão Rock Club
Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1158

Ingressos: 8 reais

APOIO

Livrarias Curitiba
Datawatch
Tecnicópias

REALIZAÇÃO

De Inverno
Gravações & Produções

oaeoz@yahoo.com.br
www.deinverno.blogspot.com
www.myspace.com/oaeoz
www.tramavirtual.com.br/oaeoz

9/29/2007

Finalmente: Hurtmold volta a Curitiba

Divulgação

O sexteto paulistano Hurtmold faz seu segundo show em Curitiba, neste sábado


Jornal do Estado

Banda experimental paulistana, que é top do indepedente nacional, se apresenta na cidade


Adriane Perin

Algo que ficou na memória do primeiro show da banda paulistana Hurtmold em Curitiba, há cinco anos, foi as pessoas postadas diante do palco do antigo 92, na última noite da terceira edição do festival Rock de Inverno. Uns tipos diferentes com um olhar que não perdia uma virada de baqueta, sequer, atentos e boquiabertos diante das movimentações do seis músicos, que mudavam de instrumento o tempo todo. Claro, que os caras diante do palco eram músicos. Só eles têm aquele tipo de olhar que procura o que poucos conseguem perceber: a conversa singular que se estabelece entre músicos e seus instrumentos. Foi um show catártico, ainda hoje muito comentado no meio, em especial agora que os paulistas estão de volta para lançar seu terceiro, homônimo da banda, também pelo selo Submarine Records. O show é neste sábado no Novo 92, com produção da curitibana Ruído/mm que abre a noitada.
“Esse 92 é aquele mesmo...”, pergunta logo de cara o multinstrumentista Maurício Takara, o cara mais conhecido entre os seis do Hurtmold, por conta também, de seus trabalhos solo e como músico contratado de feras da música brasileira. Ele conversou com a reportagem no dia da estréia do novo show em São Paulo, quarta-feira, já com a notícia de que os ingressos lá estavam esgotados. “No começo do ano tocamos bastante mas agora fa zia um tempo que não tocávamos aqui”. Eles ainda capitalizam, provavelmente, a capa que ganharam na Ilustrada da Folha de S. Paulo há algumas semanas, apontando a banda como uma representando o independente “de gente grande”.
Independente sim, mas já num estágio mais profissional, que garante à banda de Fernando Cappi, Guilherme Granado, Marcos Gerez, Mário Cappi, Mauricio Takara e Rogério Martins receber cachê e fazer exigências, simples como passar o som, mas ainda difíceis de receber. Foi o que aconteceu no Curitiba Rock Festival, em 2005, que não permitiu o acerto dos equipos. Eles não tiveram dúvida e cancelaram a participação, provocando a grande baixa nacional do evento curitibano.
Como a banda tem muitos fãs na cidade, ficou um gosto estranho na boca, que eles promotem trocar pelo sabor catártico de uma comunhão artística que, com certeza, vai acontecer novamente. Certeza, proque os dez anos de existência sem mudar de formação garantem a química e a leveza entre os músicos. Nesse tempo o Hurtmold foi ocupando cada vez mais espaço, inclusive na vida profissional de Maurício, que tem uma sólida carreira fora da banda também. “As coisas vão acontecendo em pequenas fases. Meus projetos paralelos chamaram a atenção para este trabalho autoral e chegou um ponto em que tive que dar preferência para ele, que é o que mais gosto de fazer, compor e investir no processo criativo mesmo”, conta.
Ele define sua banda como “totalmente independente”. “Principalmente porque não temos nenhuma expectativa; essa é a diferenteça. Quando se tem uma grande estrutura por trás, é inevitável que se espere uma respota de mercado”, argumenta.
O Hurtmold passou por todas aquelas fases de carregar equipamento, tocar em muquifo, bancar suas viagens por bilheteria micha. Mas agora com prestígio também no exterior, o currículo ganhou peso. “Fizemos o processo inverso. Somos amigos que resolveram tocar sem nem saber quem tocaria o quê”.
Takara conta que a gravação deste trabalho foi diferente a começar pelo tempo de 3 anos que levou para ser feito. “O penúltimos disco, Mestro, fechou um ciclo natural, o do começo, que tinha um pé mais fincado no punk e até vocais. O disco também consolidou o que a gente vinha fazendo baseado na repetição de idéias, variações de dinâmica e criação de climas. Nesse novo, as músicas tem momentos diferentes: só percussão, só sopro e corda”, conta. Mas, se a pré produção demora, as gravações são quase tudo ao vivo, para pegar o máximo do astral original. “É um processo rústico. “A gente se junta na sala, arma o máximo que dá pra gravar ao vivo e depois faz um ou outro overdub”.
Ainda com a passagem do CRF na mente, Takara encerrra a entrevista comentando de sua alegria de tocar na cidade. “Vai ser o maior prazer voltar pra tocar do jeito que a gente queria. E conhecer o novo 92”. Defintivamente, quem sabe sabe: não dá pra perder.

Serviço
Hurtmold e Ruído mm. Dia 29. Ingressos a confirmar. Novo 92 (R. Des. Benvindo Valente, 280).